Na última segunda-feira (20), em Hannover, Brasil e Alemanha firmaram uma declaração conjunta de intenções com o objetivo de reforçar a colaboração nas áreas científica e tecnológica, focando em minerais críticos e estratégicos. Esses elementos são considerados fundamentais para a transição energética e a criação de novas tecnologias.
A formalização do acordo ocorreu durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao país europeu, onde ele se encontrou com o chanceler Friedrich Merz.
O entendimento foi assinado entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Brasil e o Ministério Federal da Pesquisa, Tecnologia e Espaço da Alemanha. Ele estabelece diretrizes para aumentar as atividades conjuntas em pesquisa, desenvolvimento e inovação ao longo de toda a cadeia produtiva desses insumos.
Os minerais críticos são vitais para diversas tecnologias modernas, incluindo a fabricação de baterias, turbinas e painéis solares. Contudo, sua oferta pode ser ameaçada devido à escassez ou à dependência de poucos fornecedores.
“As nossas reservas tornam o Brasil um ator essencial na discussão sobre minerais críticos. Buscamos atrair cadeias de processamento para o Brasil, sem depender apenas da venda de matérias-primas. A colaboração em setores que demandam alta tecnologia é fundamental para um país que quer ir além da simples exportação de commodities”, declarou Lula após a reunião com Merz.
O acordo também prevê que Brasil e Alemanha ampliem pesquisas e inovações nas áreas de exploração, extração e processamento de minerais críticos, como terras raras. O compromisso reflete a consciência mútua sobre a importância estratégica das atividades de pesquisa para agregar valor às cadeias produtivas desses minerais, promovendo um desenvolvimento industrial sustentável e uma maior autonomia tecnológica.
Entre os compromissos estabelecidos no acordo estão o fomento à inovação por meio de pequenas e médias empresas dos dois países, além do início de projetos conjuntos voltados à gestão responsável dos minerais críticos. Também está previsto o intercâmbio entre cientistas e profissionais técnicos de pós-graduação. Um novo programa bilateral para financiamento direto às instituições nacionais deverá ser elaborado até 2026.
Outros acordos
Além do pacto sobre minerais críticos, durante a visita oficial de Lula foram firmados mais 14 atos conjuntos.
Dentre esses acordos, destaca-se um que visa intensificar o combate a crimes ambientais relacionados ao desmatamento, ao tráfico de fauna e flora e à mineração ilegal. Outro documento trata da cooperação na área de inteligência artificial, enfocando o governo digital e suas aplicações industriais.
Uma carta de intenções foi assinada pelo governo alemão propondo aumentar os recursos destinados ao Fundo de Combate às Mudanças Climáticas do Brasil. Este fundo é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e terá como foco financiar projetos voltados à redução das emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa. O banco alemão KfW deverá contribuir com aproximadamente 500 milhões de euros ao fundo.
A cooperação abrange ainda áreas como defesa, pesquisa oceânica, apoio a micro e pequenas empresas, pesquisa aeroespacial e tecnologias quânticas.
Nesta que é sua segunda visita oficial à Alemanha durante seu atual mandato, Lula foi recebido com honras militares em Hannover para se reunir com Merz. Destaca-se que o Brasil é um dos poucos países que possuem um acordo de parceria estratégica com a Alemanha, refletindo um dos mais altos níveis nas relações diplomáticas bilaterais.
“Essa proximidade é mais relevante do que nunca em tempos onde ocorrem tantas mudanças na ordem mundial. Queremos fortalecer nossos laços mútuos e expandir nossa rede. Aspiremos ser parceiros robustos com ideias alinhadas”, afirmou o chanceler alemão em coletiva à imprensa.
Além do encontro bilateral, Lula também fez uma fala na abertura da Hannover Messe, considerada a maior feira industrial global deste ano, que tem como foco o Brasil. Durante sua estadia na feira, ele se reuniu com empresários brasileiros e alemães para discutir oportunidades no setor dos biocombustíveis.
* Matéria escrita por Pedro Rafael Vilela, repórter da Agência Brasil.
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