No primeiro trimestre de 2026, a contribuição da indústria mineral para a balança comercial brasileira foi de US$ 9,29 bilhões, representando 66% do superávit total do país, que alcançou US$ 14,17 bilhões. Durante esse período, o faturamento do setor atingiu R$ 77,9 bilhões, um crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, foram arrecadados R$ 26,9 bilhões em tributos e taxas, com um aumento de 5,5%, e o número de empregos diretos chegou a 230.011 em fevereiro, conforme dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).
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As informações foram apresentadas em um relatório do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), que foi divulgado pelo diretor-presidente Pablo Cesário no dia 15 de abril de 2026. O levantamento também destaca que as exportações minerais totalizaram US$ 11,4 bilhões, refletindo um crescimento de 21,5%, e uma quantidade de 87,9 milhões de toneladas exportadas, com um leve aumento de 0,9%. As importações minerais somaram US$ 2,1 bilhões, com um avanço significativo de 29%, representando 10 milhões de toneladas – alta de 15,1%. O IBRAM ainda projeta investimentos no setor da ordem de US$ 76,9 bilhões entre os anos de 2026 e 2030. Este valor é o maior registrado na série histórica desde o ciclo entre 2014 e 2018, quando a previsão era de apenas US$ 53,6 bilhões. Dentre os investimentos planejados até 2030, US$ 21,3 bilhões são destinados a minerais considerados críticos.
Esta divulgação ocorre no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados pode votar um substitutivo ao projeto de lei nº 3025/2023. Segundo análises do IBRAM, essa mudança legislativa tornaria o ouro extraído ilegalmente mais competitivo em relação ao ouro legal.
Substitutivo sobre o ouro ilegal em votação
A Câmara deve discutir e votar hoje o substitutivo ao Projeto de Lei (PL) nº 3025/2023. A proposta original foi enviada pelo Poder Executivo em junho de 2023 e tinha como objetivo criar mecanismos para rastrear a origem do ouro seguindo padrões internacionais. No entanto, conforme uma avaliação técnica realizada pelo IBRAM juntamente com o Instituto Escolhas, o novo texto transfere à Casa da Moeda a responsabilidade por essa rastreabilidade – algo que não conta com a estrutura regulatória necessária para tal tarefa. A Agência Nacional de Mineração (ANM) já se manifestou contrária à proposta.
O setor acredita que este substitutivo abre brechas que podem ser exploradas por atividades ilegais relacionadas ao ouro. A Frente Parlamentar da Mineração Sustentável também expressou críticas à proposta.
A criação da estatal Terrabras gera controvérsia no Congresso
Além das discussões sobre o ouro ilegal, estão sendo analisadas duas propostas na Câmara que visam estabelecer a Terrabras – uma empresa pública focada na cadeia produtiva das terras raras e minerais críticos. O PL nº 1733/2026 do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) propõe sua criação com abrangência que vai desde a pesquisa geológica até a comercialização. Já o PL nº 1754/2026 apresentado pela bancada do PT amplia essa proposta ao incorporar funções do Serviço Geológico do Brasil e sugerir um regime de partilha da produção com uma participação mínima de 50% para a nova estatal.
O IBRAM contesta esse modelo proposto. De acordo com a entidade, os principais obstáculos enfrentados pela mineração brasileira no segmento das terras raras são a falta de financiamento para tecnologia voltada à separação e refino dos minerais além da logística e segurança jurídica inexistentes. A criação dessa estatal não solucionaria esses problemas estruturais. Apesar do Brasil possuir a segunda maior reserva mundial desse tipo mineral – estimada em cerca de 21 milhões de toneladas – sua produção representou menos de 1% da produção global em 2024. Também está tramitando na Câmara o PL nº 2.780/2024, proposto pelo deputado Zé Silva (União-MG) e relatado pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP). Esta proposta visa instituir uma política nacional focada nos minerais críticos e estratégicos priorizando segurança jurídica e incentivo aos investimentos. O relator já descartou tanto a criação da estatal quanto quaisquer restrições às exportações desses minerais.
Crescimento no faturamento impulsionado por ouro e cobre
O minério de ferro continua sendo o destaque na indústria mineral brasileira com faturamento totalizando R$ 37,5 bilhões no primeiro trimestre deste ano; porém houve uma queda anual de aproximadamente 3%. Logo atrás estão os minérios: ouro com R$ 13,5 bilhões e um impressionante crescimento de 45%, seguido pelo cobre que gerou R$ 10,3 bilhões com aumento significativo de 28%. O granito arrecadou R$ 1,78 bilhão apresentando uma diminuição de 3%, enquanto o calcário dolomítico registrou R$ 1,62 bilhão com queda correspondente a cerca de 7%. A bauxita alcançou R$ 1,52 bilhão com uma redução próxima a quatro pontos percentuais.
Minas Gerais lidera os resultados financeiros entre os estados brasileiros com R$ 29,9 bilhões e uma leve alta de 0,4%. O Pará vem logo em seguida com R$27,4 bilhões (aumento de12%), enquanto Bahia obteve R$4 ,3 bilhões (crescimento de7%). Goiás teve um faturamento reduzido para R$2 ,7 bilhões (queda14%), Mato Grosso atingiu R$2 ,6 bilhões (crescimento21%)e São Paulo arrecadouR $2 ,5bilhões(queda5%). Os demais estados juntos somaramR $8 ,5bilhões.
Avanços nas exportações reforçam resultados positivos
No primeiro trimestre deste ano,a China se destacou como principal destino das exportações minerais brasileiras,sendo responsável por66%do total enviado ao exterior.Ao mesmo tempo,no lado das importações,destacam-se países como Estados Unidos(19 ,4%),Colômbia(13 ,2%),Canadá(12 ,9%)e Rússia(11 ,3%).O minériodeferro respondeu por53 ,9%dasexportaçõesmineraiscomum totaldeUS $6 ,15bilhões,elevando-seem2 ,4%.Oouro,porexemplo,totalizouUS $2 ,34bilhões,crescendo89 ,3%,enquanto ocobreatingiuUS $1 ,59bilhão,crescendo65 ,7%.NióbioreportouUS $604 ,3milhõescomumacrescimentode13 ,6%.
Importações – Nas importações,o potássio liderou as compras externascomUS $1 ,054bilhão,elevando-se47 ,6%,seguido pelocarvãoqueatingiuUS $618 ,6milhõescomumacrescimentode12 ,2%,enxofrecomUS $151milhões(44 ,9%),rochafosfáticaqueregistrouUS $28 ,2milhões(em queda9 ,6%)ezincoqueatingiuUS $25 ,1milhões(crescendo104 ,3%).No cenário internacional,o preço médio do minériodeferro ultrapassouosUS $100por tonelada neste trimestre,tendo seu valor médio sido0 ,7%superiorao verificado noano anterior.Oouro,valorizou-seem70 ,3%,sendo negociadoaUMPreço médioDeUS $4 .87539por onça troy.O dólar comercial encerrou março cotadoemR $5 ,23.
Tributos refletem importância econômica do setor
No primeiro trimestre,a arrecadação proveniente da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM)totalizouR $1 ,98bilhão,crescendo1 ,3%.Por tipo mineral,o minériodeferrocontribuiucomR $1 .305bilhão,sendo seguido pelominériodecobre(R $208milhões),minériodeouro(R $203milhões),bauxita(R $44milhões)e outras substâncias(R $223milhões).Minas Gerais foiresponsável pela maiorparte da arrecadaçãoCFEMcomR $876milhões,sendo acompanhadoporPará(R $790milhões),Bahia(R $72milhões),Goiás(R $50milhões),Mato Grosso(R $41milhões)e outrosestadosquegeralmentesomaramR $152milhões.
Investimentos – Para os próximos anos até2030,a carteira prevista para investimentos concentra-se principalmente no minériodeferro,totalizandoUS $19 .812bilhões(elevandoseem1 ,1%frente à estimativa anterior), seguida por projetos socioambientais(com US $14 .7bilhões)queapresentamumcrescimentoexpressivoem29 .7%,logística(comUS $11 .274bilhões,evoluindoem3 .4%),cobre(com US $8 .627bilhões,crescendoem18%)efertilizantes(com US $6 .881bilhõeselevandoseem23 .3%).Osestadoscommaioresprevisõesdeinvestimento sãominas Gerais(US $19 .675bilhõesrepresentando25 .6%dototal),Pará(US $14 .661bilhõesrepresentando19 .1%),Bahia(US $11 .687bilhõesrepresentando15 .2%),Ceará(US $5 .463bilhãorepresentando7 .1%),Amazonas(US $2 .660bilhãorepresentando3 .5%)e Goiás(US $1 .912bilhãorepresentando2 .5%).
*Conteúdo: Ascom/Ibram
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