quinta-feira , 16 julho 2026
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População de Itabira levanta preocupações sobre os efeitos da transformação do Sistema Pontal; Vale projeta conclusão das obras para 2033

A Vale deu início à desmontagem dos diques Minervino e Cordão Nova Vista, localizados no Sistema Pontal, em Itabira. Esta fase representa a conclusão do Programa de Descaracterização de Estruturas a Montante na cidade. A mineradora estima que as obras no dique Minervino sejam finalizadas até 2030, enquanto o Cordão Nova Vista deve ser concluído até 2033. O novo cronograma foi apresentado em uma reunião ocorrida na última quinta-feira (18), onde participaram moradores dos bairros Bela Vista, Nova Vista, Jardim das Oliveiras e Praia, juntamente com a Assessoria Técnica Independente da Fundação Israel Pinheiro (ATI/FIP).

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Durante o encontro, os residentes expressaram suas preocupações e questionamentos sobre como as obras afetarão suas vidas diárias. De acordo com a Vale, esses diques são as últimas estruturas do Sistema Pontal que ainda necessitam de descaracterização. As intervenções incluem melhorias nos sistemas de drenagem, criação de valas e canais para direcionar a água dos rejeitos até a Barragem do Pontal, remoção gradual de parte do material acumulado e recuperação das áreas afetadas pela vegetação. A companhia espera gerar cerca de 300 empregos diretos e indiretos durante o auge das atividades, priorizando a contratação de mão de obra local.

Os moradores manifestaram receios quanto aos possíveis efeitos das obras em suas rotinas, principalmente em relação à drenagem subterrânea, alterações no lençol freático, infiltrações nas casas e riscos à estabilidade do solo. “Nós não estamos tendo sossego. Está em um ponto em que não estamos aguentando”, desabafou Norma Rodrigues, moradora da Bela Vista, ao exigir mais diálogo por parte da empresa com aqueles que serão impactados.

Márcia Barbosa, membro da Comissão de Atingidos do Sistema Pontal, levantou questionamentos sobre a segurança das obras. “Nós crescemos neste bairro e sabemos que havia lagoas, nascentes e muita água sob esse terreno. Nossa preocupação é sobre a segurança quando vocês forem drenar essa água.”

Foto: ATI/FIP – Divulgação

Em resposta às preocupações levantadas, os representantes da Vale garantiram que o processo de descaracterização não afetará o comportamento do lençol freático e que a água continuará seu fluxo natural em direção à Barragem do Pontal. Gladson Dias, gerente de Descaracterização e Projetos Geotécnicos da Vale, comunicou à imprensa que a empresa tomará medidas para minimizar os impactos sobre os moradores e o meio ambiente. Dentre as ações anunciadas estão o uso de aspersores para controle de poeira nas vias e monitoramento contínuo da qualidade do ar, níveis sonoros e vibrações. As atividades estarão sob supervisão dos órgãos responsáveis e da auditoria técnica independente do Ministério Público.

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Saúde, poeira e prolongamento das obras

Outro assunto abordado foi o impacto das intervenções na saúde física e mental dos moradores locais. Os participantes expressaram apreensão quanto ao aumento da poeira, ruídos excessivos e vibrações geradas pelas obras prolongadas. Carlos Estevão, representante do Jardim das Oliveiras e integrante da Comissão de Atingidos, questionou se há um monitoramento específico voltado para a saúde mental da comunidade afetada e solicitou que os resultados sejam apresentados oficialmente.

Irani Alves, residente no Bela Vista há mais de trinta anos, resumiu o descontentamento entre os presentes. “Vocês deveriam pensar um pouco na gente. E nós? Vamos ficar dentro de um canteiro de obras?” Em resposta aos questionamentos feitos pela comunidade, a mineradora informou que realiza monitoramentos ambientais regulares auditados pela empresa independente AECOM e prometeu responder formalmente às solicitações feitas pelos moradores.

A questão da destinação dos rejeitos removidos durante as obras também gerou incertezas entre os presentes. Inicialmente mencionado como redistribuição na própria área da barragem, foi revelado que existe um projeto de remineração em análise sem licença ambiental aprovada ainda. O transporte desse material para outras localidades levantou preocupações acerca do aumento no tráfego de caminhões e demais impactos operacionais associados. Além disso, os moradores relataram problemas relacionados ao esgotamento sanitário inadequado, odores desagradáveis, proliferação de animais peçonhentos e dificuldades para habitar as residências durante as intervenções.

Outro ponto discutido foi a falta de um plano claro para remoção das famílias afetadas pelas intervenções. Moradores solicitaram que fosse elaborado um plano para aqueles que desejam deixar a área devido aos impactos resultantes das obras.

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Programa entra na fase final

Com o início das operações nos diques Minervino e Cordão Nova Vista, a Vale informou que já concluiu oito das dez estruturas planejadas no Programa de Descaracterização em Itabira. Para viabilizar essa etapa finalizada anteriormente está a Estrutura de Contenção a Jusante (ECJ2), concluída em setembro de 2025, além das melhorias no dique Minervino finalizadas em dezembro do mesmo ano.

No âmbito nacional, a mineradora destaca ter completado a descaracterização de 19 entre as 30 estruturas previstas em seu programa; dessas, 16 estão localizadas em Minas Gerais e três no Pará. Os investimentos totais desde 2019 somam R$ 13,3 bilhões.

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