Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) a partir do celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e proprietário do Banco Master, sugerem que ele estava organizando um encontro com um ministro e o empresário Eduardo Wanderley, conhecido como “Duda”, na noite do segundo turno das eleições municipais de 2024. Durante a conversa, Vorcaro menciona um “negócio de mineração” e liga Wanderley ao tema. Essas informações foram divulgadas pelo jornal Folha de São Paulo.
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Os investigadores da PF caracterizam Wanderley como parte de um clã familiar com diversos investimentos e também como um dos sócios da empresa 3D Mineração.
Conforme reportado pela Folha, o ministro de Minas e Energia, Alexandre da Silveira, estava em Belo Horizonte naquele dia para votar e apoiar Fuad Noman, seu candidato à prefeitura da cidade.
Informações obtidas indicam uma relação próxima entre o ministro e a família Wanderley, revelando que Silveira se aproximou de Vorcaro após o empresário ganhar destaque no setor.
Documentos da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) mostram que Silveira e Wanderley voaram juntos em 14 de novembro de 2025, de Brasília para São Paulo, a bordo de uma aeronave Hawker 850XP.
A família Wanderley participa também das empresas Cowan e Wanmix, além da 3D Mineração. Esta última foi criada poucas semanas antes da aquisição de 116 áreas em leilão promovido pela Agência Nacional de Mineração (ANM), ocorrido em agosto de 2024.
Em nota divulgada, o Ministério de Minas e Energia assegurou que o ministro mantém contatos com agentes públicos e privados dentro da normalidade institucional e sem qualquer tipo de favorecimento.
Reação oficial
A assessoria do ministro enviou uma nota à mídia negando a participação de Alexandre Silveira em uma reunião com empresários. “É falsa a informação sobre a presença do ministro em reunião com empresários ou discussões acerca de negócios privados na data mencionada. Em 27 de outubro de 2024, após cumprir sua agenda pública, o ministro voltou para casa, o que desmente categoricamente a notícia”, afirma parte do comunicado.
“O ministro Alexandre Silveira considera como uma tentativa leviana associar suas agendas institucionais ou compromissos pessoais a interesses indevidos. A comunicação com agentes públicos e privados é não apenas republicana; é um dever institucional”, conclui a nota.
A íntegra do posicionamento do ministro Alexandre Silveira:
A respeito da matéria publicada pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira, 23 de abril, que menciona o ministro Alexandre Silveira, esclarecemos:
Não é verdadeira a informação sobre a participação do ministro em reunião com empresários ou discussões sobre negócios privados na data citada. Em 27 de outubro de 2024, após cumprir sua agenda pública, o ministro retornou à sua residência, fato que desmente categoricamente a notícia.
No que diz respeito à doação realizada durante a campanha ao Senado Federal em 2022, esta foi feita em nome do suplente da coligação, Virgílio Guimarães, que tinha uma conta bancária específica para esse fim. Essa doação não foi direcionada ao então candidato ao Senado. Conforme as normas eleitorais atuais, as prestações de contas dos candidatos titulares e seus suplentes são feitas em conjunto.
Todas as ações ocorreram em estrita conformidade com as legislações eleitorais vigentes, especialmente as normas relacionadas à prestação de contas nas Eleições Gerais de 2022 (Resolução nº 23.607/2019 atualizada pela Resolução nº 23.665/2021 do Tribunal Superior Eleitoral).
Adicionalmente, é importante ressaltar que essa doação ocorreu antes mesmo da associação do ministro Alexandre Silveira com o Ministério de Minas e Energia.
No que tange à Agência Nacional de Mineração (ANM), é pertinente destacar que o Ministério não possui autoridade para interferir em atos autorizativos ou regulatórios; essas responsabilidades cabem exclusivamente à agência federal autônoma.
Tanto o Ministério quanto o próprio ministro reprovam qualquer atitude contrária aos princípios da legalidade e transparência. Assim que tomou conhecimento da Operação Rejeito, o ministro determinou investigação imediata dos fatos e defendeu o afastamento dos envolvidos para garantir a plena atuação judicial.
Sobre alegações referentes aos direitos minerários, esclarece-se que o ministro nunca exerceu pressão sobre a Vale ou qualquer outra empresa no tocante à venda de ativos. Tais decisões são prerrogativas das companhias detentoras dos direitos minerários; cabe à ANM apenas registrar eventuais cessões ou arrendamentos.
A posição do ministro quanto ao aproveitamento adequado dos recursos minerais brasileiros é pública desde seu início no cargo e não está relacionada a negociações específicas.
Quanto às viagens mencionadas anteriormente, todas foram realizadas respeitando as normas legais pertinentes. Qualquer outro comentário é mera insinuação maliciosa.
Por fim, Alexandre Silveira considera uma tentativa leviana associar suas atividades institucionais ou compromissos pessoais a interesses impróprios. A interação com agentes públicos e privados é não apenas republicana; é um dever institucional.”
*Fonte: Revista Oeste
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