A Vale S.A. deu um passo significativo em sua trajetória de sustentabilidade ao implementar um projeto de mineração circular na mina de Gongo Soco, situada em Barão de Cocais. A iniciativa tem como foco o reaproveitamento dos rejeitos de uma estrutura que está inativa desde 2016, visando não apenas a diminuição de resíduos, mas também o aumento da produção de minério de ferro a partir de fontes circulares.
O plano inclui a construção de uma usina destinada ao processamento dos materiais gerados pela descaracterização da barragem Sul Superior e por duas pilhas da unidade. Com uma capacidade projetada para produzir cerca de 2 milhões de toneladas de minério de ferro anualmente, a planta utilizará tecnologia avançada de concentração magnética para recuperar o material ainda presente nos rejeitos.
Juliana Cota, diretora de Minas Paralisadas do Corredor Sudeste da Vale, destacou que a proposta foi criada para funcionar em harmonia com as atividades relacionadas à descaracterização da barragem. “Escolhemos uma solução que maximiza a recuperação do minério de ferro contido nos rejeitos, alinhando-se ao cronograma das obras na estrutura geotécnica”, comentou ela.
A instalação da nova usina ocorrerá na área da antiga planta de Gongo Soco, permitindo que a movimentação dos materiais aconteça dentro da própria unidade. O escoamento do produto será realizado pela Estrada de Ferro Vitória a Minas. Segundo Luis Gustavo Silva, engenheiro responsável pelo projeto, essa abordagem inclui uma engenharia modular que resulta em menor ocupação do espaço, redução nos custos e diminuição das emissões de carbono.
A previsão é que a construção da usina leve cerca de 19 meses, com início das operações programado para o próximo ano, dependendo do cumprimento das normas ambientais e regulatórias.
Waste to Value
Essa iniciativa faz parte do programa Waste to Value, uma estratégia da Vale voltada para transformar rejeitos e estéreis em novos produtos. O objetivo é minimizar a geração de resíduos e otimizar a utilização dos recursos minerais.
Minas Gerais já é responsável por uma parcela significativa da produção circular da empresa. Em 2024, a Vale mais que dobrou esse volume, alcançando 26,3 milhões de toneladas — aproximadamente 80% desse total foi produzido no estado. Além da mina Gongo Soco, operações nas minas Capanema e Vargem Grande também adotam esse modelo, assim como a produção de coprodutos como areia sustentável e blocos para construção.
A companhia estabeleceu como meta que até 2030 cerca de 10% da sua produção anual de minério de ferro seja oriunda de fontes circulares, reforçando seu compromisso com práticas mais sustentáveis na atividade mineradora.
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