quinta-feira , 4 junho 2026
Home Agronegócio Itabira celebra a extensão da mineração até 2053: André Viana destaca o tempo extra para o planejamento dos trabalhadores
Agronegócio

Itabira celebra a extensão da mineração até 2053: André Viana destaca o tempo extra para o planejamento dos trabalhadores

André Viana Madeira, presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região, fez comentários a respeito da extensão do prazo de operações da Vale em Itabira, revelada nesta sexta-feira (27). A mineradora anunciou que sua atuação na cidade será ampliada em 12 anos, passando de uma previsão de encerramento em 2041 para 2053. “Essa mudança é significativa para a comunidade”, declarou o sindicalista.

[links]

Os detalhes foram divulgados no relatório Form-20, um documento anual apresentado à U.S. Securities and Exchange Commission (SEC) em Nova Iorque, que se refere ao ano fiscal de 2025 e que foi recentemente disponibilizado pela Vale.

+ Vale amplia tempo de operação em Itabira até 2053; saiba mais

Seguindo uma prática estabelecida desde 2001, o relatório é enviado a investidores da Bolsa de Nova Iorque e contém informações sobre as reservas da empresa no Brasil e fora dele, além de detalhes sobre seu desempenho, metas traçadas, impactos sociais e ambientais e compromissos corporativos.

“Essa é uma conquista para Itabira e para os trabalhadores, pois proporciona mais tempo para planejar o futuro”, ressaltou André Viana, que também atua como representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da mineradora.

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por Sindicato Metabase de Itabira e Região (@metabaseitabira)

O fantasma da exaustão

Desde o início da apresentação dos relatórios Form-20 pela Vale à SEC, as previsões sobre a exaustão das minas em Itabira têm sido frequentemente modificadas. As datas já foram alteradas várias vezes — inicialmente para 2014, depois passando por prazos como 2025, 2028 e finalmente agora para 2053.

“Com cada novo relatório, o tempo para a mineração se ajusta e a população enfrenta um ciclo entre a esperança temporária e o receio do fim inevitável. No entanto, esse desfecho deve ser antecipado através de planejamento estratégico com investimentos estruturais e diversificação econômica”, defendeu André Viana.

O sindicalista acredita que apenas assim Itabira poderá evitar tornar-se uma cidade fantasma após o esgotamento mineral. “É fundamental não cruzar os braços e permitir que a vida siga lentamente”, acrescentou citando Carlos Drummond de Andrade.

Avanços tecnológicos e novos recursos

André Viana explicou que a decisão da Vale de estender suas operações em Itabira se deve a avanços nas pesquisas geológicas e nas tecnologias que agora possibilitam o aproveitamento de minérios com menor teor, como o itabirito dolomítico. Este mineral foi viabilizado recentemente por meio de novas técnicas que também foram aplicadas ao itabirito compacto.

Essa rocha possui alta concentração de ferro mas também altos níveis de cálcio e magnésio, sendo anteriormente considerada estéril. Com as novas tecnologias disponíveis agora é possível processá-la junto com outros itabiritos mais ricos em ferro.

Outro aspecto importante que influenciou essa decisão pela Vale foi a implementação da mineração circular — um método que minimiza a geração de rejeitos ao reaproveitar materiais depositados em barragens desde os anos setenta. Essa abordagem já contribuiu com cerca de 1,5 milhão de toneladas de minério de ferro no ano fiscal de 2025 e novos projetos estão aguardando licenciamento.

Reservas ampliadas e impacto econômico

Com as investigações recentes, as reservas minerais do complexo itabirano aumentaram significativamente — subindo de uma estimativa anterior de 760 milhões para impressionantes 1,151 bilhão de toneladas com base nos dados do ano fiscal de 2025 — representando um aumento expressivo de cerca de **52%** ou **391 milhões** de toneladas adicionais.

“Essa notícia traz bons sinais tanto para os trabalhadores quanto para os prestadores de serviços e investidores que veem segurança na continuidade das atividades mineradoras na região. Para a administração pública local e a economia regional, essa ampliação oferece um novo ânimo — embora reforce ainda mais a necessidade urgente por planejamento”, alertou Viana.

Para garantir essa nova perspectiva quanto ao esgotamento das minas será necessário ampliar as cavas das operações Conceição e Meio além da instalação das novas pilhas secas para rejeitos — estruturas essas que necessitam ainda do devido licenciamento ambiental.

Outro desafio consiste na aceleração do reaproveitamento dos rejeitos acumulados nas barragens — algo que já vem sendo incorporado pela Vale dentro do conceito moderno da mineração circular mas também requer licenciamento ambiental.

“Essas iniciativas são essenciais para assegurar não apenas a sustentabilidade operacional mas também para mitigar os impactos ambientais associados às atividades mineradoras. No entanto, elas exigem investimento coletivo responsável envolvendo todos os stakeholders — empresa, autoridades públicas e sociedade civil”, enfatizou Viana.

Diversificação econômica

Para André Viana essa nova informação é extremamente benéfica para Itabira mas não deve levar à inércia ou complacência. Ele destacou que atualmente mais de **80%** da economia municipal ainda está atrelada à mineração e enfatizou a importância desse tempo extra ser utilizado para implementar políticas voltadas à diversificação econômica local.

“Conseguimos uma prorrogação no prazo — talvez até mais tempo através das pesquisas geológicas — mas isso vem acompanhado por responsabilidades diversas. É crucial que Vale, autoridades locais trabalhadores e toda comunidade estejam comprometidos com o futuro sustentável da cidade”, afirmou.

Fundo Soberano e mudanças estruturais

Entre as propostas destacadas por André Viana encontra-se a criação imediata de um Fundo Municipal Soberano — uma sugestão já feita pelo prefeito Marco Antônio Lage (PSB), porém ainda sem efetivação prática.

“Antes tarde do que nunca! Esse fundo deveria ter sido instituído desde os primeiros relatórios Form-20 ou mesmo com o surgimento da CFEM [Compensação Financeira pela Exploração Mineral] após a Constituição Federal em **1998**. Sua implementação é vital para garantir recursos provenientes dessa compensação financeira além de fomentar novos negócios enquanto assegura serviços essenciais quando chegar o momento do esgotamento”, defendeu.

Outro ponto crucial ressaltado por Viana é a transposição das águas do Rio Tanque com capacidade estimada em **600 litros por segundo (l/s)** — um volume superior ao consumo atual na cidade estimado em **400 l/s**. “Esse excedente cria oportunidades reais para atrair indústrias demandantes desse insumo em larga escala industrialmente falando. É uma chance imperdível para diversificar economicamente Itabira”, afirmou.

Legado e uso das áreas desativadas

Além das questões relacionadas à mineração ativa André Viana defende que áreas já desativadas como diques abandonados sejam aproveitadas para fins culturais turísticos ou patrimoniais.
“Agora é o momento certo para debatermos planos futuros adequados mesmo quando distantes acerca do fechamento das minas mas também podemos pensar em novos usos imediatos dessas áreas já inativas”, argumentou.

“Esse tempo adicional deve ser transformado em oportunidades palpáveis voltadas à diversificação econômica sustentabilidade social vislumbrando um legado duradouro”, concluiu reforçando que “o futuro começa agora”.

* Com informações do Sindicato Metabase de Itabira e Região.

A matéria “Mineração até **2053** : ‘é uma vitória para Itabira e os trabalhadores’”, afirma André Viana apareceu primeiro em DeFato Online.

Related Articles

Agronegócio

Nozinho enfatiza a importância da colaboração entre cidades na região do Médio Piracicaba.

A união entre os municípios para impulsionar o desenvolvimento regional e acelerar...

Agronegócio

ArcelorMittal se abre ao diálogo sobre implementação da escala 4×4 em João Monlevade após manifestações

As negociações entre trabalhadores e a ArcelorMittal sobre o acordo de turno...

Agronegócio

Marília Campos discute habilitação da radioterapia e estratégias para diversificação econômica durante visita a Itabira

A ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado por Minas Gerais, Marília...