Araçuaí, localizada no Vale do Jequitinhonha, Poços de Caldas, na região Sul de Minas, e Araxá, situada no Alto Paranaíba, são cidades que abrigam iniciativas que desempenharão um papel central na transição energética mundial.
[links]
Essas localidades recebem projetos das empresas Companhia Brasileira de Lítio (CBL), Viridis Mining e St George Mining. Elas possuem reservas significativas de minerais críticos e terras-raras, evidenciando a diversidade mineral do estado.
Recentemente, o seminário “Mineração 360º – O Motor da Economia Nacional” foi promovido pelo jornal O Tempo, onde foram discutidos tanto o potencial econômico quanto os desafios enfrentados por esses projetos.
Thiago Amaral, gerente nacional da australiana St George Mining, está à frente de um projeto em Araxá focado na exploração de nióbio e terras-raras. Esses elementos químicos são fundamentais para diversas indústrias modernas, como a fabricação de turbinas, equipamentos para ressonância magnética, motores elétricos e baterias.
O executivo revela que a empresa analisou oportunidades ao redor do mundo antes de optar pelo Brasil.
“É um investimento que acredita no potencial do Brasil, que são talvez os projetos mais bem ranqueados do mundo, porque o país, além das reservas, tem uma matriz energética limpa e capacidade de oferecer tecnologia e ambiente de negócios”.
Embora ainda esteja em desenvolvimento, o projeto já garantiu mais de R$ 250 milhões em investimentos e planeja iniciar sua operação em até três anos.
Em Poços de Caldas, a Viridis Mining está desenvolvendo o projeto Colossus. Este empreendimento busca explorar depósitos ricos em argilas iônicas que contêm neomídio, praseomídio, térbio e disprósio—elementos cruciais para a produção de ímãs permanentes utilizados em turbinas eólicas, veículos elétricos e sistemas de defesa.
A expectativa é que a planta consiga produzir até 15% da oferta global desses componentes até 2028.
Klaus Petersen, responsável pela operação da Viridis no Brasil, destaca:
“Vai ser um empreendimento de classe mundial, com padrões de sustentabilidade para o mundo todo. É um projeto elétrico com 100% de energia renovável”.
Ele também revelou planos para iniciar em 2027 a construção de uma planta dedicada à reciclagem de ímãs feitos com terras-raras. Esta unidade será capaz de recuperar óxido desses elementos a partir de equipamentos descartados como máquinas de ressonância ou turbinas fora de uso. A nova planta será semelhante àquela já operante na Irlanda.
Na cidade de Araçuaí, a Companhia Brasileira de Lítio (CBL), atuando desde 1985, se prepara para um novo capítulo na economia global. A empresa planeja triplicar sua capacidade produtiva na refinaria de lítio — atualmente a única fora da China capaz de atingir o nível necessário para fabricar baterias para veículos elétricos — que atualmente produz cerca de 2 mil toneladas anualmente. Wison Brumer, membro do conselho da CBL, informou que um investidor indiano aportou aproximadamente US$ 40 milhões para se tornar sócio do projeto.
“Por que os indianos se interessam em participar desse processo? É simples: é a geopolítica. É a discussão para ter uma menor dependência da China”.
Brumer também comentou sobre as reservas da mina subterrânea: uma pesquisa revelou a existência de 21 milhões de toneladas disponíveis. Isso pode levar a um aumento significativo na produção da empresa até atingir 200 mil toneladas ao ano, assegurando assim sua sustentabilidade futura.
*Fonte: O Tempo
O post Projeto de terras-raras coloca Minas Gerais no epicentro da nova economia global apareceu primeiro em DeFato Online.