Recentemente, a Vale divulgou avanços tecnológicos na Usina Conceição II, localizada em Itabira. Entretanto, ao ser indagada sobre o futuro industrial da cidade que é a origem da mineradora, a resposta não foi tão encorajadora. O diretor operacional do Complexo de Itabira, Diogo Monteiro, se referiu à possibilidade de uma fábrica de briquetes de minério de ferro na região e declarou: “Para Itabira a gente ainda não discutiu esse processo”.
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Essa resposta curta e objetiva ocorre em um momento crucial para Itabira, que busca maneiras de diversificar sua economia e diminuir a dependência da mineração. Apesar das promessas da Vale sobre inovação, descarbonização e valorização da cadeia mineral, a cidade não está nos planos da empresa para receber um de seus projetos industriais mais inovadores.
O briquete de minério de ferro é considerado pela própria Vale uma alternativa inovadora para minimizar as emissões de carbono na fabricação de aço. A tecnologia já está em operação; em 2023, foi inaugurada no Complexo de Tubarão, no Espírito Santo, a primeira fábrica mundial destinada à produção desse material.
A instalação de uma unidade desse tipo em Itabira poderia abrir novas oportunidades econômicas para o município, gerando empregos na indústria e atraindo investimentos enquanto fortalece sua estratégia de diversificação econômica diante das discussões sobre o futuro pós-mineração. Contudo, a declaração de Monteiro indica que essa proposta não está sendo considerada pela mineradora.
Esse cenário reforça uma crítica frequentemente levantada por líderes locais: mesmo com Itabira sendo uma das principais operações da Vale, os investimentos voltados para as fases mais avançadas da cadeia produtiva são direcionados a outras regiões. A cidade continua desempenhando seu papel tradicional há mais de oitenta anos – extraindo minério e enviando-o para outros locais sem participar significativamente das etapas mais lucrativas do processo produtivo.
Foto: Guilherme Guerra/DeFatoNos últimos anos, tanto o prefeito Marco Antônio Lage (PSB) quanto o presidente do Sindicato Metabase, André Viana, têm defendido a instalação da fábrica de briquetes como uma importante demanda junto à Vale. “A gente espera que Itabira continue sendo um centro de excelência no desenvolvimento da indústria mineral. Isso é importante. A fábrica de briquetes, por exemplo, que a Vale está abrindo em várias regiões, inclusive fora do país, a gente acha que é possivelmente plausível, necessário, que uma fábrica de briquetes seja instalada em Itabira”, afirmou o prefeito Marco Lage em entrevista ao portal Cidades e Minerais.
“Itabira errou drasticamente no passado quando não conectou mineração com siderurgia. Então, nós somos uma cidade pioneira no extrativismo mineral. Tivemos uma estatal sendo fundada na cidade, com uma bênção, que era uma ferrovia que interliga dois estados até hoje existente: a Estrada de Ferro Vitória a Minas” afirmou André Viana durante a reinauguração da Mina Capanema em setembro de 2025. Essa retomada também trouxe anúncios de investimentos totalizando R$ 67 bilhões até 2030.
Além disso, segundo Viana, a produção dos briquetes oferece uma oportunidade única para reposicionar Itabira no contexto industrial mineral e siderúrgico.
“A Vale lançou agora um produto extremamente sustentável, que é o briquete de minério de ferro, que retira da siderurgia o carbono; ou seja, alinha-se à agenda ESG da descarbonização. Já existe uma usina no porto de Tubarão [em Vitória], e são sete usinas pelo mundo; por que não considerar uma em Itabira ou em Minas Gerais?” questionou ele na época.
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