domingo , 6 setembro 2026
Home Agronegócio Desafios globais impulsionam a necessidade de inovação e colaboração no setor de commodities minerais
Agronegócio

Desafios globais impulsionam a necessidade de inovação e colaboração no setor de commodities minerais

Durante a última semana, o talk show “As principais tendências no mercado de commodities minerais” foi realizado na Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (Exposibram 2026), em Belo Horizonte. O evento focou nas transformações do mercado global de commodities minerais, que estão sendo aceleradas pela transição energética, avanços tecnológicos, inteligência artificial, mudanças nas relações comerciais e tensões geopolíticas.

[links]

Ruben Fernandes, diretor de Operações Globais da Anglo American, teve a responsabilidade de moderar o painel, que contou com a presença de líderes e especialistas para debater os elementos que estão modificando a oferta e a demanda por minerais estratégicos. O objetivo foi discutir como a indústria pode se adaptar a esse novo panorama.

Entre os participantes estavam Henrique Oliveira, diretor sênior de Projetos Estratégicos da Mosaic; René Muga Escobar, vice-presidente de Assuntos Corporativos para a América Latina da BHP; Paul Mitchell, líder global do setor de Mineração e Metais da Ernst & Young (EY); e Sebastián Gatica, consultor sênior da CRU Group.

Henrique Oliveira iniciou as discussões destacando os efeitos dos conflitos no Oriente Médio sobre a produção e distribuição de recursos, especialmente fertilizantes. Ele mencionou que a instabilidade geopolítica gera incertezas quanto ao abastecimento, podendo impactar a segurança alimentar global.

Para ele, uma solução viável seria fortalecer o diálogo entre as empresas, associações do setor e o governo. “É essencial trabalharmos juntos ao governo. O federal deve entender os possíveis impactos futuros e como pode apoiar as empresas neste contexto”, sugeriu.

Oliveira também enfatizou a importância da diversificação das fontes de suprimento como estratégia de médio prazo, buscando fornecedores em diversas partes do mundo. Além disso, ressaltou que investimentos em inovação podem ampliar o aproveitamento dos produtos. “Inovação é uma nova forma de pensar e representa uma oportunidade para nos prepararmos para essa nova realidade”, concluiu.

Minas do futuro

A evolução das atividades mineradoras foi outro ponto central abordado por Paul Mitchell. Ao discutir a valorização dos ativos no contexto da transição energética e descarbonização, ele destacou a necessidade de antecipar como serão as operações no futuro.

Mitchell observou que tendências como eletrificação e descarbonização devem sustentar a demanda por commodities minerais por um longo período. Nesse cenário, ele defendeu uma abordagem mais estratégica em relação aos investimentos e sublinhou a relevância de avaliar o potencial de valorização dos ativos ao longo prazo.

“Seja otimista ao considerar os investimentos. Avalie o preço da commodity. Tenha uma visão positiva sobre o futuro potencial de valorização e aja com ousadia”, afirmou. Para ele, assumir riscos calculados pode proporcionar vantagem competitiva às empresas.

Desafios estruturais e cooperação

René Muga Escobar abordou as mudanças estruturais que têm pressionado a capacidade produtiva na indústria mineral. Entre essas mudanças está a diminuição do teor dos minérios, que exige maior processamento para se obter quantidades semelhantes ou até menores do produto final.

“Produzir material tornou-se muito mais complicado. Precisamos processar muito mais para obter a mesma quantidade ou até menos”, detalhou. Para ele, essa situação demanda uma colaboração mais estreita entre empresas, fornecedores e outros agentes da cadeia mineral.

Na visão de René, formar parcerias é crucial para estabelecer condições mais estáveis e previsíveis, além de facilitar atrair investimentos nas áreas onde os recursos minerais são encontrados. Ele acredita que esse cenário apresenta uma oportunidade para aumentar a participação da América Latina na cadeia global de minerais estratégicos. “Diante dos desafios que enfrentamos, pode parecer pessimista pensar assim, mas vejo muitas oportunidades para agir”, afirmou.

Riscos nos novos projetos

Sebastián Gatica analisou os desafios associados à implementação de novos projetos no setor mineral. O consultor destacou três fatores frequentemente subestimados pelos investidores: o tempo necessário para execução dos projetos, inflação nos custos e avaliação abrangente da cadeia de valor.

Com relação ao primeiro aspecto, Gatica observou que os cronogramas planejados muitas vezes não refletem a realidade prática, gerando atrasos consideráveis. Em mercados restritos como o cobre, essa discrepância pode afetar o equilíbrio entre oferta e demanda e influenciar os preços.

O segundo fator diz respeito à alta dos custos devido à complexidade crescente das operações e à diminuição dos teores dos minérios junto com lavras cada vez mais profundas. O terceiro aspecto envolve uma análise integrada do projeto; para ele é essencial não apenas focar no produto final mas também compreender todas as etapas da cadeia produtiva incluindo processamento e fornecimento.

* Com informações do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

O post Mercado de commodities minerais exige estratégia, inovação e cooperação frente a novos desafios globais apareceu primeiro em DeFato Online.

Related Articles