quarta-feira , 19 agosto 2026
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Gigante americana adquire mineradora brasileira de terras raras por US$ 2,8 bilhões

A mineradora brasileira Serra Verde, especializada na extração de terras raras, foi comprada pela americana USA Rare Earth (USAR) em uma transação avaliada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões. O anúncio da aquisição ocorreu na última segunda-feira (20) pelas duas empresas.

Localizada em Minaçu, Goiás, a mina de Pela Ema é a única no Brasil a produzir argilas iônicas e está em operação desde 2024. Além disso, é responsável pela extração das quatro terras raras pesadas mais críticas fora da Ásia: Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y). Globalmente, mais de 90% da produção de terras raras ocorre na China.

Esses materiais são essenciais para a fabricação de ímãs permanentes que são utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones e sistemas de ar-condicionado de alta eficiência, além de terem aplicações nas áreas de semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial.

A empresa brasileira afirmou que essa negociação poderá criar a maior companhia global no setor de terras raras. Atualmente, a produção em Goiás está na fase um e ainda é considerada modesta, mas há planos para dobrar essa capacidade até 2030.

“As atividades de mineração e processamento da Serra Verde serão fundamentais para estabelecer a primeira cadeia de suprimentos de terras raras do mineiro ao ímã fora da Ásia, especialmente quando unidas às capacidades da USAR”, declarou o grupo Serra Verde em um comunicado ao mercado.

Contrato com duração de 15 anos

O acordo firmado entre as empresas envolve um fornecimento garantido por 15 anos para atender uma Empresa de Propósito Específico (SPV), que receberá capital tanto de agências governamentais dos Estados Unidos quanto de investidores privados. Esse fornecimento destina-se a 100% da produção da Fase I com preços mínimos assegurados para terras raras magnéticas.

“O Acordo de Fornecimento gera fluxos financeiros seguros e previsíveis para a Serra Verde, minimizando riscos e apoiando investimentos necessários para seu desenvolvimento bem-sucedido”, afirmou a nota divulgada pela USAR.

Segundo informações do comunicado oficial, o pacto possibilitará o surgimento “de uma multinacional líder na mineração de terras raras com operações em oito locais no Brasil, EUA, França e Reino Unido, abrangendo toda a cadeia produtiva das terras raras leves e pesadas — incluindo mineração, processamento, separação metalúrgica e fabricação de ímãs”.

“Esses avanços representam um marco importante para o Brasil e evidenciam sua capacidade de assumir um papel relevante no desenvolvimento das cadeias globais de suprimento de terras raras. As garantias contratuais e a parceria com a USAR confirmam a qualidade da Serra Verde: nossa operação singular e o comprometimento dos nossos colaboradores com práticas responsáveis”, declarou Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração e COO do Grupo Serra Verde.

O mercado reagiu positivamente à notícia; por volta das 15h30, as ações da USAR na Nasdaq subiram mais de 8%. A aquisição também garante que a equipe da Serra Verde continue intacta, com dois executivos sendo incorporados à diretoria da USAR: Sir Mick Davis como Presidente do Conselho e Thras Moraitis como CEO do Grupo Serra Verde.

Em diversos discursos públicos, Donald Trump tem levantado questões sobre as terras raras e criticado a dependência global da produção chinesa, o que tem gerado tensões nas relações com Pequim.

* Matéria escrita por Guilherme Jeronymo, repórter da Agência Brasil.

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