quarta-feira , 19 agosto 2026
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Estudantes afrodescendentes partem em setembro rumo a graduações em instituições internacionais

Realizar estudos no exterior é um sonho almejado por muitos ao longo da vida. A possibilidade de fazer a graduação em outro país não apenas abre portas para instituições de ensino de renome mundial, mas também possibilita o desenvolvimento de intercâmbios culturais significativos. Porém, além das dificuldades já enfrentadas na etapa de aprovação, a obtenção dos recursos necessários para viver fora pode ser um grande obstáculo.

Com essa realidade em mente, o Fundo Baobá, uma organização focada na promoção da equidade racial, lançou o programa Black STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). A iniciativa escolheu três estudantes negros que receberão uma bolsa de R$ 42 mil destinada à sua permanência no exterior. Os alunos embarcarão em setembro para iniciar suas graduações.

Nesta semana, a entidade recepcionou os três selecionados para o programa:

  • Caio Ramos irá estudar Design no Dubai Institute of Design and Innovation (Didi), localizado nos Emirados Árabes Unidos;
  • Quezia Fernanda estudará Engenharia Elétrica na Universidade de Jaén, na Espanha;
  • João Vitor se matriculará em Ciência da Computação na Northwestern University, nos Estados Unidos.

Design

Caio Ramos, um jovem de 23 anos residente em Irajá, Rio de Janeiro, escolheu Didi após se encantar pela cidade durante uma viagem familiar. Antes de ser aprovado, enfrentou desafios significativos tanto no âmbito acadêmico quanto familiar. Em 2020, devido à pandemia de covid-19, ele ficou um ano sem aulas porque sua escola não possuía infraestrutura para oferecer educação online.

No mesmo ano, seu pai começou a apresentar sintomas relacionados ao Alzheimer e Parkinson. À medida que as doenças progrediram, ele teve que deixar o emprego. Sem condições financeiras para contratar um cuidador e diante do alto preço dos medicamentos necessários, Caio precisou ingressar no mercado de trabalho em 2022 para ajudar nas despesas da casa.

A nova rotina dificultou seu acesso ao ensino superior. Contudo, apesar das adversidades, ele afirma que se recusa a se limitar e busca oportunidades internacionais como forma de superação. “Participar do Black STEM é uma conquista minha, mas também representa uma vitória para aqueles que se identificam comigo e enfrentam lutas semelhantes”, ressaltou Caio.

Engenharia

Quezia Fernanda é natural de Rio das Ostras e tem 19 anos. Ela completou o ensino médio técnico em automação industrial no Instituto Federal Fluminense. Foi através de uma parceria entre esta instituição e a Universidade de Jaén que ela tomou conhecimento sobre uma bolsa de estudos disponível no exterior, o que lhe possibilitou perseguir um sonho que parecia distante.

No evento de acolhimento junto à jornalista Adriana Couto, Quezia compartilhou sua motivação para estudar Engenharia Elétrica: “Crescendo em Macaé, conhecida como a capital do petróleo no Brasil, percebo como a área energética é crucial. Vejo na engenharia elétrica uma oportunidade para iniciar meus estudos e futuramente aprofundar-me em áreas sustentáveis”, afirmou.

Computação

João Vitor é o terceiro bolsista contemplado pela iniciativa e vem da cidade baiana de Cruz das Almas. Desde pequeno demonstrou aptidão por tecnologia e interesse pela manutenção de computadores. Esse interesse se consolidou quando ingressou no Instituto Federal para estudar informática.

Crescendo no Recôncavo Baiano, João teve a chance de conviver com líderes comunitários negros e comunidades quilombolas. Sua decisão de estudar na Northwestern University foi influenciada pelo fato da universidade contar com Jean, um estudante brasileiro oriundo desse contexto quilombola. “Minha proximidade com essas comunidades me fez desenvolver um enorme afeto pelas lideranças que sempre me apoiaram e abriram portas”, destacou João Vitor.

Permanência

O programa oferece não apenas recursos financeiros destinados à moradia, transporte, alimentação e material acadêmico; também inclui mentorias profissionais, workshops e conexões com líderes negros além do suporte psicológico aos estudantes.

Giovanni Harvey, diretor-executivo do Fundo Baobá, enfatizou a importância da construção de uma rede sólida de apoio aos alunos durante sua permanência fora do país. “Há estudantes saindo da Bahia ou Fortaleza que ficam longe da família. A solidão e as questões relacionadas à saúde mental são muito comuns entre os jovens. Não basta doar dinheiro; é fundamental prover suporte”, afirmou.

A proposta visa estimular a crença nas pessoas negras sobre seu potencial para alcançar espaços relevantes na sociedade.

* Com Agência Brasil.

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