Uma fissura foi detectada na Mina Mar Azul, situada em São Sebastião das Águas Claras, no distrito de Macacos, Nova Lima. Essa trinca é uma consequência das obras de descaracterização da antiga barragem B3/B4, da mineradora Vale. A Agência Nacional de Mineração (ANM) já foi informada sobre a situação e está monitorando as ações que estão sendo implementadas pela empresa para restaurar e consolidar a estrutura. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) também se envolverá no caso, com a intenção de abrir uma Notícia de Fato ao receber detalhes sobre a integridade da estrutura.
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Localizada na parede do talude de um sump — uma construção destinada à retenção de água — a fissura foi reportada pela própria Vale à ANM. A agência confirmou que as ações corretivas já começaram e a expectativa é que sejam finalizadas antes do início da próxima estação chuvosa. A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) também está atenta às intervenções em andamento.
A situação ganhou destaque após um ofício enviado pelo gabinete da deputada federal Duda Salabert (PSOL) aos órgãos competentes para fiscalização. No documento, são mencionadas fissuras consideradas significativas e visíveis em proximidades da antiga barragem, além de questionamentos sobre a segurança da área.
A inquietação acerca do problema se intensifica com a aproximação do período de chuvas. O ofício menciona incidentes ocorridos no início de 2026 em Congonhas e Ouro Preto, onde estruturas da Vale enfrentaram dificuldades após chuvas intensas, resultando em despejo de material nos cursos d’água.
Vale garante que a antiga barragem foi completamente descaracterizada
A mineradora Vale assegura que o processo de descaracterização da B3/B4 foi finalizado em maio de 2024, eliminando os riscos associados à antiga barragem. A empresa também esclarece que as obras atualmente realizadas na região não têm relação com qualquer barragem ou com a formação de pilhas de rejeitos. Segundo a mineradora, as imagens que geraram dúvidas mostram apenas um movimento localizado do solo em área natural, previamente identificado e que já está passando por recuperação do talude.
Além disso, a Vale afirmou manter comunicação constante com os moradores locais e instituições comunitárias sobre as intervenções na área.
B3/B4 alcançou nível máximo de emergência
Em 2019, a antiga B3/B4 foi classificada como estando em nível máximo de emergência, resultando na evacuação preventiva de mais de 100 famílias residentes em Macacos. Essa estrutura foi erguida utilizando o método de alteamento a montante e passou por um processo abrangente de descaracterização que se completou em maio de 2024. De acordo com informações fornecidas pela Vale, essa foi a primeira barragem da companhia a ser descaracterizada após atingir o nível máximo de emergência.
Esse procedimento envolveu não apenas a remoção e movimentação dos rejeitos, mas também diversas intervenções técnicas para eliminar as características que garantiam seu funcionamento como uma barragem convencional.
Apesar da conclusão do processo de descaracterização, estruturas remanescentes e áreas associadas às obras continuam sujeitas à supervisão e podem requerer manutenções regulares, como é o caso atual do talude onde foi identificada a fissura.
MPMG irá supervisionar o desdobramento do caso
Em razão das notificações recebidas e dos questionamentos levantados na denúncia, o MPMG vai investigar as informações relacionadas à trinca e às condições das estruturas presentes na área. A apuração poderá procurar entender as causas do surgimento da fissura, assim como as ações adotadas pela Vale e o monitoramento realizado pelos órgãos ambientais e reguladores.
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