quarta-feira , 15 julho 2026
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AMEPI estabelece Câmara Técnica de Mineração para fomentar discussões sobre economia e gestão da água no Médio Piracicaba

No último dia 1º, a Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Piracicaba (AMEPI) organizou duas reuniões estratégicas focadas no planejamento regional, sustentabilidade e desenvolvimento econômico dos municípios que compõem essa área. Os encontros abordaram questões relacionadas à gestão dos recursos hídricos, prevenção de impactos ambientais e à criação de alternativas econômicas para o cenário pós-mineração.

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Na parte da manhã, membros da AMEPI se encontraram com representantes do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba (CBH-Piracicaba) para discutir o alinhamento institucional e reforçar as ações conjuntas voltadas para a gestão hídrica. Um dos principais encaminhamentos foi a proposta de inclusão da associação e do Consórcio Regional de Saneamento Básico (Corsab) nas instâncias decisórias do comitê.

Essa proposta visa aumentar a representatividade regional nas conversas sobre políticas públicas ambientais e segurança hídrica, consideradas essenciais para os municípios do Médio Piracicaba.

Entre os tópicos discutidos estavam iniciativas de desassoreamento dos rios para evitar enchentes em áreas urbanas, melhorias nos sistemas de drenagem, e a elaboração e atualização dos Planos Municipais de Saneamento Básico, além do desenvolvimento de projetos ambientais como o programa Rio Vivo.

Augusto Henrique da Silva, presidente da AMEPI, ressaltou a relevância da colaboração entre os municípios e os órgãos que gerenciam os recursos hídricos. “É essencial fortalecer essa integração para garantir a preservação dos recursos naturais e melhorar a qualidade de vida da população”, destacou.

Início das atividades da Câmara Técnica de Mineração

Durante a tarde, a AMEPI deu início à primeira reunião da nova Câmara Técnica de Mineração, que contou com a presença de secretários municipais das áreas de Desenvolvimento Econômico e Planejamento, bem como representantes das mineradoras Vale, ArcelorMittal, Bemisa, Rac Soluções e Mineradora Positivo.

Essa nova câmara foi criada para estabelecer um canal contínuo de diálogo entre os municípios, o setor mineral e a própria associação, promovendo o desenvolvimento conjunto de políticas e estratégias voltadas ao progresso regional.

Um dos principais pontos abordados foi a formulação de um plano regional para o período pós-mineração. A iniciativa tem como objetivo desenvolver alternativas econômicas que diminuam a histórica dependência da região em relação à mineração e siderurgia.

Dentre as sugestões apresentadas estão o fortalecimento do turismo local, promoção cultural, valorização do artesanato, projetos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), exploração do mercado de créditos de carbono e criação de mecanismos colaborativos entre os municípios, como centrais compartilhadas para compras públicas.

Impulso à economia local

Outro ponto importante debatido foi a necessidade de aumentar a participação das empresas locais nas aquisições realizadas na região. Informações compartilhadas durante o encontro revelaram que aproximadamente R$ 1,6 bilhão são movimentados anualmente em compras no Médio Piracicaba; no entanto, uma parte considerável desse montante é destinada a fornecedores fora da localidade.

Para impulsionar a economia regional, os participantes sugeriram promover rodadas de negócios e desenvolver plataformas para registrar fornecedores e prestadores de serviços locais. O intuito é aumentar a inserção das empresas regionais nos mercados públicos e privados.

Preocupações com a reforma tributária

A reforma tributária também fez parte das discussões. Dados apresentados pela Associação Mineira de Municípios (AMM) indicam que várias cidades mineiras poderão enfrentar sérios impactos na arrecadação nos próximos anos. Isso torna fundamental que as administrações municipais se preparem tecnicamente para lidar com novos cenários fiscais.

Segundo Augusto Henrique da Silva, presidente da AMEPI, esses encontros representam um avanço significativo no planejamento regional em longo prazo. “Devemos discutir o futuro da nossa região coletivamente, levando em consideração tanto a preservação dos recursos hídricos quanto a diversificação econômica e como preparar nossos municípios para os desafios futuros”, concluiu.

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