Nesta semana, iniciou-se a construção de uma extensa rede de monitoramento e inteligência para aprimorar a segurança pública na região. Durante uma reunião organizada pela Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Piracicaba (Amepi), representantes de diferentes prefeituras e forças de segurança debateram a implementação de um sistema regional que integraria municípios através de câmeras inteligentes, leitura automática de placas e compartilhamento em tempo real de informações.
[links]
O encontro ocorreu na quarta-feira (3) e contou com a participação do presidente da Amepi e prefeito de Rio Piracicaba, Augusto Henrique (Cidadania), além de representantes da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), da Polícia Rodoviária Federal (PRF), membros da Guarda Civil Municipal de São Gonçalo do Rio Abaixo, a vice-prefeita de Bela Vista de Minas, Rode Basílio (União), e o secretário executivo da associação, Guilherme Nasser.
A proposta discutida consiste em estabelecer uma “blindagem” regional para segurança, que se baseia na integração dos sistemas de videomonitoramento já existentes nas cidades e na expansão dessa infraestrutura para localidades que ainda não dispõem dessa tecnologia. O objetivo é criar um cerco eletrônico regional sob a supervisão da Polícia Militar, utilizando equipamentos que identificam veículos através da leitura automática de placas e permitem a troca imediata de dados entre os municípios envolvidos.
Com isso, o sistema facilitará o monitoramento de movimentações suspeitas, o rastreamento de veículos associados a atividades criminosas e a criação de uma barreira virtual nas principais vias que dão acesso ao Médio Piracicaba, dificultando assim as fugas e o tráfego de criminosos entre as cidades vizinhas.
João Monlevade como modelo
Durante as conversas, João Monlevade foi destacada como um exemplo exitoso do uso da tecnologia na segurança pública e gestão urbana. O município possui atualmente centenas de câmeras instaladas em locais estratégicos, gerando aproximadamente 52 mil capturas mensais.
Além de apoiar as forças policiais, esse sistema também é empregado por outras entidades públicas, como a Brigada Municipal, o Corpo de Bombeiros, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e o Serviço Voluntário de Resgate (Sevor).
Entre os dados apresentados, destacou-se o desempenho notável de uma câmera próxima ao Posto Graal, que realiza cerca de 9 mil leituras mensais. Outra câmera localizada na Praça do Lindinho monitora aproximadamente 9 mil veículos diariamente, demonstrando o volume significativo de informações disponíveis para ações preventivas e investigações.
O tenente Daniel, da 17ª Companhia Independente da Polícia Militar, mencionou que os sistemas de videomonitoramento têm sido utilizados em diversas áreas da administração pública. Um exemplo citado foi seu uso no apoio à fiscalização ambiental, especialmente no combate ao descarte irregular de resíduos.
Preocupação com roubos de carga
Outro ponto importante abordado durante a reunião foi a luta contra o roubo de cargas. Os representantes da Polícia Rodoviária Federal alertaram sobre a presença ativa de quadrilhas especializadas nesse crime na região e afirmaram que a ampliação do monitoramento inteligente pode ajudar significativamente na identificação desses grupos criminosos e dos veículos utilizados nas ações delituosas.
A expectativa é que essa integração facilite o compartilhamento das informações entre as forças policiais, otimizando as respostas às ocorrências e aumentando a eficácia das medidas preventivas.
+ PMs presos por roubo de carga atuavam em pelotão de São Gonçalo do Rio Abaixo; guarda municipal de Ipatinga segue foragido
+ PMMG detalha prisão de policiais suspeitos por envolvimento em roubo na BR-381
Integração através da tecnologia
O comandante da 17ª Companhia Independente da Polícia Militar, major Rodrigo, ressaltou que essa integração tecnológica representa um avanço significativo para a segurança pública na região. Ele enfatizou que o acesso às informações via dispositivos móveis proporciona maior agilidade operacional e fortalece as atividades policiais.
Por sua vez, Augusto Henrique, presidente da Amepi, defendeu que a segurança pública deve ser encarada sob uma perspectiva regionalizada, afastando-se das limitações administrativas dos municípios.
“A segurança não respeita limites territoriais. Portanto, precisamos trabalhar em conjunto, compartilhando tecnologia, informações e inteligência. Quando os municípios se unem, toda a região se beneficia. Nosso objetivo é estabelecer um cinturão regional sólido em termos de segurança, promovendo cidades mais seguras e organizadas com melhor qualidade de vida para todos”, afirmou.
A Amepi anunciou que uma nova reunião ocorrerá nas semanas seguintes com os prefeitos da microrregião para aprofundar as discussões técnicas e definir os próximos passos rumo à implementação desse sistema integrado no Médio Piracicaba.
Foto: Divulgação/AmepiO post Amepi articula cinturão tecnológico para reforçar segurança no Médio Piracicaba apareceu primeiro em DeFato Online.