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Risco elevado persiste na barragem da Vale em Mariana sete meses após sua descaracterização

A Agência Nacional de Mineração (ANM) alterou a Categoria de Risco (CRI) da barragem Campo Grande, da Vale, localizada em Mariana, Minas Gerais, passando de baixa para média. Essa decisão foi tomada após uma vistoria que revelou mudanças nas condições de conservação dos taludes e a necessidade de melhorias no sistema de drenagem da estrutura.

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A atualização na classificação foi registrada no boletim mensal da ANM referente a julho de 2026 e ocorre aproximadamente sete meses após a Vale ter anunciado a finalização das obras de descaracterização da barragem, em dezembro de 2025. A agência reguladora identificou a necessidade de manutenção em várias áreas, incluindo a revegetação dos taludes e o assoreamento de alguns dispositivos de drenagem superficial.

Apesar das questões apontadas, a ANM esclarece que essas alterações não indicam um risco à segurança da estrutura. A Vale recebeu notificações para implementar as correções necessárias e, em uma inspeção realizada pela própria mineradora e reportada à ANM em 17 de julho, foi informado que as intervenções já estavam sendo executadas.

Inaugurada em 1998, a barragem Campo Grande possui cerca de 94 metros de altura, equivalente a um edifício com aproximadamente 30 andares. No Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB), ela é categorizada como tendo alto potencial de dano associado. Essa classificação leva em conta os possíveis impactos que uma eventual falha poderia causar a pessoas, ao meio ambiente e às atividades econômicas. Conforme os dados do SNISB, entre mil e cinco mil indivíduos poderiam ser afetados numa possível ocorrência abaixo da estrutura.

A barragem foi construída utilizando o método de alteamento a montante, técnica também empregada nas estruturas que colapsaram em Mariana (2015) e Brumadinho (2019). As obras realizadas para descaracterização visaram eliminar as características que possibilitavam o funcionamento da estrutura como uma barragem.

Vale afirma que estrutura é estável

Em nota oficial, a Vale declarou que a barragem Campo Grande continua estável e segura, sem qualquer sinal de alerta ou emergência. A empresa também destacou que a classificação do risco pode sofrer mudanças ao longo do monitoramento posterior à descaracterização devido às atividades regulares de manutenção.

Adicionalmente, a mineradora afirmou que o monitoramento da estrutura é realizado continuamente, durante todo o dia, pelos Centros de Monitoramento Geotécnico. A ANM prevê que mesmo após o processo de descaracterização, haverá um acompanhamento ativo da barragem por pelo menos dois anos; posteriormente, esse acompanhamento poderá ser reduzido para um monitoramento passivo dependendo das condições apresentadas e das normas vigentes.

Monitoramento não termina com descaracterização

As ações de descaracterização incluíram intervenções como remoção do alteamento a montante, reconfiguração estrutural, reforços, impermeabilização e melhorias no sistema de drenagem. Contudo, o término dessas obras não implica no fim imediato do monitoramento. A regulamentação da ANM exige um período contínuo de supervisão após as intervenções concluídas.

A ANM supervisiona as barragens através do Sistema Integrado de Gestão de Barragens de Mineração (SIGBM), além do uso de documentos técnicos e dados coletados por meio de instrumentação e fiscalizações tanto presenciais quanto remotas.

A Campo Grande faz parte do complexo mineral da Vale em Mariana. Outras duas barragens da companhia na região — Doutor e Xingu — também estão passando por processos semelhantes de descaracterização com cronogramas programados para os próximos anos.

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