Na localidade de Bom Jesus do Amparo, situada no coração de Minas Gerais e com uma população em torno de seis mil habitantes, a música está se revelando um importante meio para abrir novas oportunidades para crianças e adolescentes. Desde o início de abril deste ano, aproximadamente 60 alunos, com idades entre 8 e 18 anos, da rede pública estadual, estão participando do projeto Luthier. Esta iniciativa oferece oficinas que abordam desde a musicalização até a construção e manutenção de instrumentos musicais.
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O projeto também promove a consciência ambiental ao utilizar madeira proveniente de reflorestamento e outros materiais sustentáveis na confecção dos instrumentos. Além disso, valoriza o trabalho artesanal e revitaliza antigos cancioneiros do Brasil, fortalecendo a cultura da viola caipira. A ação é fruto de uma colaboração entre a Prefeitura local, o Sebrae Minas e o Sicoob Credipel.
Sofia Vitória de Souza, aluna do 7º ano da Escola Estadual Edmundo Pena, compartilha que aos 12 anos encontrou uma nova paixão. “Estava aprendendo violão, mas a viola caipira me proporcionou uma experiência única. Também percebi melhorias na minha concentração e memória”, relata a estudante que aguarda ansiosamente pela Cantata de Natal, onde os alunos apresentarão sua primeira performance como orquestra de viola caipira.
Ana Carolina Neves, analista do Sebrae Minas, ressalta que “o projeto não apenas incentiva novas vocações, mas também desenvolve competências socioemocionais que estão ligadas à educação empreendedora, como criatividade, autonomia e trabalho em equipe”, afirma.
Impacto social
A metodologia foi criada em 2006 pelo luthier Pedro Alexandrino e já beneficiou cerca de 5.200 estudantes em localidades como Barão de Cocais, Nova União, Antônio Dias e Açailândia (MA). O programa inicia com aulas de musicalização para familiarizar os alunos com os instrumentos e seus sons antes de avançar para as práticas de luteria.
Pedro destaca que o projeto ultrapassa a formação técnica. Muitos ex-participantes tornaram-se professores ou monitores e até abriram seus próprios negócios na área musical. “Trata-se de uma iniciativa que promove inclusão cultural e formação integral. A música ensina disciplina, concentração e autoconfiança para enfrentar desafios”, enfatiza. Além disso, o projeto fortalece laços familiares ao resgatar tradições da viola caipira, permitindo que avós e pais compartilhem essa herança cultural com as novas gerações.
Bruno Antônio Silva, aluno do 6º ano na mesma escola que Sofia, revela que sua paixão pela viola começou após assistir a uma apresentação dos estudantes do projeto. Fã do sertanejo raiz, ele ganhou uma viola do tio-avô e pratica diariamente em casa com duas aulas semanais. “Aprendi cinco músicas e estou criando uma introdução para uma canção com o apoio dos meus pais. A música me traz calma e ajuda na disciplina; além disso, aprendo sobre tempo e planejamento”, comenta.
O estudante Bruno Antônio Silva é um dos participantes do projeto – Foto: Divulgação/Sebrae-MGEm um município cuja economia é sustentada pelo agronegócio e pela mineração, o projeto tem se destacado na comunidade. Quase 300 estudantes se candidataram às 60 vagas inicialmente disponíveis, levando à necessidade de um processo seletivo rigoroso. “O maior impacto é a inclusão social e a transformação das vidas desses jovens ao oferecer oportunidades valiosas para aprendizado e desenvolvimento profissional”, conclui o prefeito Wanderlei Ribeiro.
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